Como tornamos o site Sem Barreiras mais acessível.
Resumo
Data:
22 de ago. de 2022
Cliente:
Deficientes auditivos e visuais
Serviços:
UX/UI
Acessibilidade
Redesign de uma plataforma para pessoas com deficiência feito para o projeto Apoie uma ONG, organizado pelas comunidades Vagas UX e Jovens UX e UI.
🚨 Problema: falta de informação sobre acessibilidade em espaços físicos.
No Brasil são aproximadamente 46 milhões de pessoas com alguma deficiência. Esse universo soma em torno de R$ 245 bilhões de clientes em potencial, mais do que o PIB (Produto Interno Bruto) de alguns países.
Mesmo assim, grande parte dos estabelecimentos e das plataformas digitais não estão preparados para atender a esse público. Apenas 4% das empresas consideram questões como a diversidade em suas inciativas e a maioria dos sites não seguem as boas práticas de acessibilidade. O problema se estende também para os espaços públicos. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apenas 4,7% das calçadas são acessíveis.
Além de todos esses desafios, sites de avaliações, com o objetivo de compartilhar opiniões de pessoas em espaços físicos, tem pouca informação sobre a acessibilidade desses lugares, o que exclui as pessoas que dependem desse recurso para frequentar um espaço com autonomia.
Fontes:
PCDs são excluídos de comércios não inclusivos e donos deixam de lucrar
Empresas perdem bilhões de reais por não terem aplicativos acessíveis a PCDs
✅ Solução: melhorar as funcionalidades da plataforma Sem Barreiras para que as pessoas com deficiência possam encontrar, cadastrar e compartilhar suas experiências em estabelecimentos e lugares públicos.
🎯 Objetivo: aumentar a confiança ao sair de casa e diminuir a frustração com a falta de acessibilidade.
🚨 Importante saber: a plataforma Sem Barreiras já existia, o que propomos foi melhorar a usabilidade e experiência da pessoa usuária.
Equipe: Júlia Albuquerque como Product Designer e UX Researcher, Thomas Tarnowshi como Product Designer , Tuane Oliveira como Ux Writer e Victor Nunes como Product Designer.
Metodologia:
Usamos o método do diamante duplo (double diamond) para nos guiar. Isso significa que iniciamos com a descoberta e definição do problema para então seguirmos com o desenvolvimento e, por fim, a entrega.
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Descoberta
Pesquisa com as pessoas usuárias
🎯 Objetivo: entender os principais desafios enfrentados por pessoas com deficiência na busca por um lugar que atenda às suas necessidades.
O uso da pesquisa qualitativa: para conhecer com profundidade as dores, expectativas e o perfil das pessoas com deficiência, optamos pela entrevista qualitativa.
Como conduzimos as entrevistas
Tipo: Remoto
Duração: de 15 a 20 minutos
Participantes: 6
Insights
As maiores dores que encontramos foram:
Sentimento de exclusão ao frequentar espaços com pouca acessibilidade
Frustração ao chegar em um local que informa ser acessível, mas não é
Definição
O que propomos resolver
Após analisarmos os dados, entendemos que nosso principal problema era diminuir a frustração das pessoas com deficiência na hora de visitar algum lugar. Desta forma, concentramos nosso objetivo em construir uma plataforma que diminuísse esse sentimento e trouxesse segurança na hora de sair de casa.
Com as informações que coletamos, criamos nossa persona e a jornada dela até um espaço físico que realmente fosse acessível. Essa etapa foi importante, pois nos guiou durante todo o desenvolvimento.
Persona

Descrição da persona, perfil, biografia, motivações, objetivos, frustrações, personalidade, uso de tecnologias e aplicativos mais acessados.
Jornada da pessoa usuária

Jornada da pessoa usuária para ir até um local acessível.
Desenvolvimento
Análise de competidores
Nesta etapa verificamos as boas práticas de UX e de acessibilidade em vários aplicativos com propósitos semelhantes. A análise foi importante para definirmos estratégias assertivas em relação ao desempenho da plataforma.
Nosso foco foi identificar se os aplicativos tinham funcionalidades que contribuíam para que nossa persona completasse a jornada com sucesso.

Tabela com a avaliação heurística das funcionalidades: favoritar, adicionar fotos, cadastrar local, mapear locais, acessibilidade. Os aplicativos foram: Cittamobi, Guia de Rodas, Turismo Acessível, Sem Barreiras.
Avaliação heurística
Como mencionamos, o Sem Barreiras já era uma plataforma em funcionamento, mas com pouca usabilidade. Para entendermos melhor os pontos críticos que precisavam ser melhorados para garantirmos a acessibilidade, fizemos uma avaliação com a ferramenta Lighthouse.

79% de performance, 82% de acessibilidade, 92% de boas práticas, 79% de SEO e nada de PWA.
Os principais problemas que identificamos foram:
🚫 Inputs sem Label
🚫 Contraste baixo com o background
🚫 Ordem do headline sem hierarquia
Cada um dos pontos mencionados foram considerados durante o design da nova plataforma. Assim, construímos soluções com base nos seguintes critérios:
✅ Definição e documentação do labels nos inputs
✅ Validação do contraste das cores nos diferentes contextos
✅ Alinhamento da hierarquia do headline no style-guide
Protótipo de baixa fidelidade (Wiraframe)
Com todas as informações coletadas, a próxima etapa foi decidir sobre o desenvolvimento. Inicialmente, optamos pela abordagem para celular (Mobile First). Pensamos qual seria o fluxo necessário para gerar a melhor experiência e construímos o desenho esquemático dele (WireFlow):
Desenho esquemático do fluxo do usuário para celular.
A partir disso, tivemos insights importantes, como:
💡 O comportamento de busca é extremamente importante para gerar uma boa experiência
💡 É necessário mapear o momento em que o login é solicitado na plataforma
💡 Faltou a etapa de recuperação da senha
No entanto, conversamos com um representante da ONG, por meio do VagasUX, e chegamos a conclusão que o ideal seria focar no aperfeiçoamento da plataforma já existente por falta de baixo recurso financeiro. Por isso, mudamos o projeto para um desenvolvimento de site (Progressive Web Apps).
Partimos, então, para a construção de wireframes para web de média fidelidade.
Guia de estilo
O guia de estilo foi importante durante o processo de ideação para mantermos a consistência do design.
Criamos o guia de estilo para facilitar o processo de ideação e mantermos a consistência do design.
Entrega
Protótipo
Finalmente chegamos ao nosso protótipo de alta fidelidade. Os pontos que focamos para tornar a plataforma fácil de navegar, atrativa e ao mesmo tempo que atendesse ao objetivo da pessoa usuária, foram:
Barra de pesquisa na home
A pessoa pode buscar por lugares acessíveis na própria página inicial, uma lista de lugares aparece para ela escolher e verificar as avaliações.

Fluxo de busca por um local
Cadastrar lugares
No fluxo para cadastrar lugares tem 3 etapas obrigatórias:
Cadastrar o endereço do lugar
Informar os itens de acessibilidade disponíveis para cada deficiência
Confirmar o cadastro
Além disso, é possível adicionar fotos, mas essa etapa é opcional. Se a pessoa optar por isso, é obrigatório fazer uma descrição da imagem.

Fluxo de cadastro de um novo local
Avaliar acessibilidade dos estabelecimentos
As avaliações são feitas por tipo de deficiência: visual, motora, auditiva, neurodiversa. A pessoa usuária pode clicar em curtir para informar se o local realmente tem as opções de acessibilidade mencionadas, além de acrescentar novas opções. Caso contrário, é só clicar em não curtir.

Fluxo para avaliar a acessibilidade
Comentários na página de avaliação
A ideia do chat foi aumentar a confiança de que o lugar realmente tem o que a pessoa precisa para poder ir com segurança e gerar um sentimento de comunidade entre as pessoas usuárias.

Fluxo para fazer novo comentário
Teste de usabilidade
Com o intuito de melhorar a experiência, fizemos um teste de usabilidade no modo virtual e assistido ao vivo. Ele foi feito em dupla, enquanto uma pessoa do time conduzia a outra fazia anotações das respostas e expressões.
Deixamos três tarefas para a usuária:
Buscar por um local
Se cadastrar na plataforma
Cadastrar um novo local
Fizemos as seguintes perguntas em cada tarefa:
O que você entendeu dessa tela?
O que você acha que vai conseguir fazer nesse site?
Dê uma nota de 1 a 5, sendo 1 muito ruim e 5 muito bom
Você mudaria ou acrescentaria algo nessa tela?
Percebemos alguns pontos durante o teste, um deles é em relação a tela do menu. Colocamos duas telas de exemplo de como o teste de usabilidade nos ajudou a colocar um botão de login mais acessível e de fácil compreensão.
A pessoa entrevistada não conseguiu entender que o boneco dentro do circulo era a área para logar ou se cadastrar e sugeriu colocar um botão com a palavra escrita indicando a ação.
Imagem antes do teste de usabilidade:

Login no header representado por um boneco — antes do teste de usabilidade
Imagem após o teste de usabilidade:

Login no header representado por um botão com o texto Login — pós teste de usabilidade.
Aprendizados
Durante todo o processo de design aprendemos bastante sobre acessibilidade e a importância dela em todas as etapas. Isso contribuiu para aplicarmos e defendermos os conceitos em nosso trabalho formal.
Entendemos que acessibilidade não é uma causa, mas sim um direito e todos nós podemos ser impactados por ela. Quando tornamos os serviços e produtos acessíveis, democratizamos o acesso, garantimos autonomia e facilitamos a vida de todo mundo.
Pensar em acessibilidade é pensar no coletivo. E esse pensamento vamos levar para todos os produtos que trabalharmos de agora em diante.



